variações sobre a saudade (programa 2018.1)

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

  1. Introdução: o cansaço contemporâneo
  2. Saudade imperial portuguesa
    1. Sebastianismo pessoano
    2. Os dois Impérios em Os Lusíadas: o conquistado e o idealizado
  3. Melancolia entre saudade imperial e tristeza moderna
    1. Desconcerto do mundo camoniano
    2. Afetos heteronímicos de Fernando Pessoa
  4. Melancolia como modo de subjetivação capitalista
    1. Sujeito à/da escrita no Livro do desassossego
    2. O desassossego contemporâneo de Manuel de Freitas
  5. Variações contemporâneas de subjetividades em crise
    1. Gonçalo M. Tavares: Uma menina está perdida nos eu século à procura do pai
    2. Antonio Lobo Antunes: As naus
    3. Valter Hugo Mãe: Desumanização
    4. Inês Pedrosa: Fazes-me falta
    5. José Luis Peixoto: Uma casa na escuridão
    6. José Saramago: As intermitências da morte
    7. João Tordo: O livro dos homens sem luz

AVALIAÇÃO

PRIMEIRA AVALIAÇÃO: Redigir um texto entre 3 e 5 páginas que articule, através do tema da saudade, da melancolia e/ou da tristeza (luto), algum poema de poetas portugueses a serem listados e a algum aspecto de filme a ser exibido.

SEGUNDA AVALIAÇÃO: Portfólio com 4 fotos+comentários autorais sobre 4 poemas presentes na apostila.

TERCEIRA AVALIAÇÃO: Apresentação oral de seminário em grupo sobre romance contemporâneo português a partir do tema do curso.

MÉDIA FINAL: SOMA DAS TRÊS NOTAS (de zero a dez) E DIVISÃO POR TRÊS

 

BIBLIOGRAFIA

ANTUNES, Antonio Lobo. As naus. Lisboa, D. Quixote, 2006.

BRUM, Eliane. Exaustos, correndo e dopados. El País. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/04/politica/1467642464_246482.html> Último acesso em 27/03/2018.

CAMÕES, Luis de. Os Lusíadas. Várias edições (há exemplares na BIC e na internet)

FREITAS, Manuel de. Poemas. Rio de Janeiro, Oficina Raquel, 2007.

FREUD, Sigmund. Luto e melancolia. Sãâo Paulo, Cosac Naify, 2013.

GOMES, João Carlos Teixeira. Camões contestador. Camões contestador e outros ensaios. Salvador, Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1979. (há exemplares na BIC)

HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis, Vozes, 2015.

LOURENÇO, Eduardo. Labirinto da saudade. Lisboa, D. Quixote, 1982.

LOURENÇO, Eduardo. Mitologia da saudade. São Paulo, Companhia das Letras, 1999. (há exemplares na BIC)

PEDROSA, Inês. Fazes-me falta. São Paulo, Planeta, 2004.

PEIXOTO, José Luis. Uma casa na escuridão. Rio de Janeiro, Record, 2009.

PESSOA, Fernando. http://www.arquivopessoa.net (disponibilização de todo o material editado do autor). Casa Fernando Pessoa.

PESSOA, Fernando. Livro do desassossego. São Paulo, Companhia das Letras, 1999.

MÃE, Valter Hugo. A desumanização. São Paulo, Cosac Naify, 2013.

MARTINS, Fernando Cabral. Dicionário de Fernando Pessoa. São Paulo, Leya, 2010.

MOISÉS, Carlos Felipe. Mensagem: roteiro de leitura. São Paulo, Ática, 1994. (há exemplares na BIC)

MOISÉS, Carlos Felipe. Álvaro de Campos: roteiro de leitura. São Paulo, Ática, 1995.

SARAIVA, Antonio José, LOPES, Oscar. História da literatura portuguesa. (há exemplares na BIC)

SARAMAGO, José. As intermitências da morte. São Paulo, Companhia das Letras, 2005.

SCLIAR, Moacyr. Saturno nos trópicos. A melancolia europeia chega no Brasil. São Paulo, Companhia das Letras, 2003.

TAVARES, Gonçalo M. Uma menina está perdida no século à procura do pai. São Paulo, Companhia das Letras, 2015.

TORDO, João. O livro dos homens sem luz. Rio de Janeiro, Língua Geral, 20??

VASCONCELOS, Carolina Michaëlis de. A saudade portuguesa. Lisboa, Guimarães Editora, 1996.

 

 

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artigo: “desassossegos da democracia”

Um artigo muito pensando por mim acaba de ser publicado na Revista EM TESE, da UFMG, num Dossiê sobre “Literatura e democracia”.

O artigo chama-se Desassossegos da democracia: notas a partir de Fernando Pessoa e Giorgio Agamben.

Quem quiser lê-lo pode clicar aqui.

Quem quiser ir para o início da revista, clique aqui.

nota muitíssimo pessoal

imagem, escritura, obra

“Livro do desassossego” (Fernando Pessoa), “Escritura do desastre” (Maurice Blanchot), “Photomaton & vox” (Herberto Helder), “Viagem a Andara” (Vicente Franz Cecim), “Rua de mão única” (Walter Benjamin), “O livro” (Stéphane Mallarmé), “Galáxias” (Haroldo de Campos), “Livros de Artista” (Isabel de Sá), “Atlas da imaginação e do corpo” (Gonçalo M. Tavares), “Testemunho transiente” (Juliano Garcia Pessanha), “A ideia de prosa” (Giorgio Agamben).

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sonhos

1. Sonhei que eu era um assassino com refinado senso estético que decidiu unir seu trabalho ao “arte pela arte”, organizando a explosão – com minúcia flaubertiana, método valéryano e rigor cabralino – do Congresso Nacional, onde estariam reunidos todos os ex-presidentes do Brasil. Descrevia o estado da arte dessa decisão no livro

“DO ASSASSINATO DE POLÍTICOS COMO UMA DAS BELAS-ARTES”

2. Sonhei que eu era professor de literatura e, diante do esgotamento de falar para quase ninguém durante horas infindáveis, decidi escrever um livro de poemas intitulado

“OCIOSIDADES DO CORPO”

Mas dentro desse mesmo sonho, não mais que de repente, sonhei (um sonho dentro de um sonho, um “mise en abyme” de filmes de Godard) que eu era um poeta e escrevia um artigo acadêmico (artigo dentro de um sonho dentro de outro sonho sobre o qual aqui escrevo) intitulado

“TRABALHOS DO ÓCIO”

Acordei atrasado para o ônibus.

3. Sonhei que eu era um programador maldito, apaixonado por mulheres virtuais e que fumava crack em cachimbo de madeira envernizada, enquanto publicava na timeline do zuckerberg poemas do meu livro:

“OS FLOPS DO MAL”

4. Sonhei que eu era italiano sobrevivente do Campo de Concentração de Auschwirtualis e que escrevia um livro com meu testemunho chamado:

“É ISTO UM ESTRUMANO?”

5. Sonhei que Jorge Luís Borges escrevia um conto a respeito duma enciclopédia com um verbete sobre enigmático país chamado Uqba. O verbete é a primeira indicação sobre a Finis Orbis, uma conspiração de anti-intelectuais para acabar (e possivelmente criar) um mundo: TLET. O nome do conto?

“TLET, UQBA, FINIS ORBIS”

6. Sonhei que Mark Zuckerberg era um heterônimo de Fernando Pessoa que criou uma rede social na qual outros heterônimos publicavam manifestos, poemas e odes/ódios que depois iriam para um livro inédito chamado

“O ADESTRADOR DE REBANHOS”

 

escritor sem livros

Um artigo escrito por mim há quase dois anos foi publicado agora na revista da Universidade Federal Fluminense GRAGOATÁ.

O título do artigo é “Escritor sem livros: um topos pessoano para o presente” e trata da relação que Fernando Pessoa tinha com o livro.

Quem quiser lê-lo, clique aqui.

Quem quiser ver o Sumário da revista, com demais artigos, clique aqui.

academia, dinheiro e controle

Começo deste ano, o site Academia.edu disponibilizou uma tal de Conta Premium que sob pagamento traria vários dados sobre acessos à página do pesquisador, a leitura completa ou parcial de seus artigos ali disponibilizados e até quem o haveria lido ou acessado. O site já dava “nota” aos pesquisadores e papers mais acessados, o que só me fez pensar que esse incremento em breve também começaria a contar para as agências de financiamento (CAPES, CNPq, FAPESP, FAPESB, FAPEMIG, etc. no Brasil) como forma de avaliar o impacto de pesquisas e publicações.

Daí que acabo de ler um artigo publicado na Revista FORBES, escrito pela professora de Estudos Clássicos da Universidade de Iowa, Sarah Bond, intitulado “Dears Scholars, delete your account at academia.edu“. Como eu, são milhares os pesquisadores ao redor do mundo que disponibilizam seus textos e resultados de pesquisa no site. Mas o artigo da professora me trouxe inquietações extras.

Tenho abandonado todas as redes sociais. Por vício, cansaço ou mesmo paranoia, mas via no Academia.Edu um espaço de troca de informações e circulação de ideias que me estimulava, porque baseado em textos autorais. E continua estimulando. Mas agora tenho informações trazidas por esse artigo que apontam para uma crescente vontade do site em aumentar seu lucro vendendo informações e dados colhidos dos artigos e papers ali pendurados pelos pesquisadores. Além disso, a autora informa que alguns receberam a proposta indecente do site em ter seus “números” de acesso ligeiramente alterados sob módica quantia paga. O artigo da professora Bond, de Estudos Clássicos (nada mais sintomático positivamente), traz outros sites acadêmicos com as mesmas funcionalidades, só que mais honestos e academicamente organizados. Bem como os Repositórios Institucionais, como este, da UFBA, onde ensino e pesquiso.

Tendo acabado de ler o último volume da série Homo Sacer, do italiano Giorgio Agamben, intitulado “O uso dos corpos“, cada vez mais me convenço de que o trabalho em nosso mundo – inclusive o intelectual – avança no sentido de uma quantificação e controle total das nossas vidas. É preciso atenção com as formas de resistência, que podem simplesmente estar jogando o jogo que fortalece o biopoder.