academia, dinheiro e controle

Começo deste ano, o site Academia.edu disponibilizou uma tal de Conta Premium que sob pagamento traria vários dados sobre acessos à página do pesquisador, a leitura completa ou parcial de seus artigos ali disponibilizados e até quem o haveria lido ou acessado. O site já dava “nota” aos pesquisadores e papers mais acessados, o que só me fez pensar que esse incremento em breve também começaria a contar para as agências de financiamento (CAPES, CNPq, FAPESP, FAPESB, FAPEMIG, etc. no Brasil) como forma de avaliar o impacto de pesquisas e publicações.

Daí que acabo de ler um artigo publicado na Revista FORBES, escrito pela professora de Estudos Clássicos da Universidade de Iowa, Sarah Bond, intitulado “Dears Scholars, delete your account at academia.edu“. Como eu, são milhares os pesquisadores ao redor do mundo que disponibilizam seus textos e resultados de pesquisa no site. Mas o artigo da professora me trouxe inquietações extras.

Tenho abandonado todas as redes sociais. Por vício, cansaço ou mesmo paranoia, mas via no Academia.Edu um espaço de troca de informações e circulação de ideias que me estimulava, porque baseado em textos autorais. E continua estimulando. Mas agora tenho informações trazidas por esse artigo que apontam para uma crescente vontade do site em aumentar seu lucro vendendo informações e dados colhidos dos artigos e papers ali pendurados pelos pesquisadores. Além disso, a autora informa que alguns receberam a proposta indecente do site em ter seus “números” de acesso ligeiramente alterados sob módica quantia paga. O artigo da professora Bond, de Estudos Clássicos (nada mais sintomático positivamente), traz outros sites acadêmicos com as mesmas funcionalidades, só que mais honestos e academicamente organizados. Bem como os Repositórios Institucionais, como este, da UFBA, onde ensino e pesquiso.

Tendo acabado de ler o último volume da série Homo Sacer, do italiano Giorgio Agamben, intitulado “O uso dos corpos“, cada vez mais me convenço de que o trabalho em nosso mundo – inclusive o intelectual – avança no sentido de uma quantificação e controle total das nossas vidas. É preciso atenção com as formas de resistência, que podem simplesmente estar jogando o jogo que fortalece o biopoder.

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