susan sontag inteira em partes

  • Não sei se meu livro sobre fotografia é útil para alguém, a não ser no sentido maisSusan Sontag 2 geral de contribuir para a consciência das pessoas e tornar as coisas mais complicadas, o que acho sempre bom (p. 24)
  • É algo extraordinário estar disposta a morrer (p. 25)
  • Nietzsche estava certo sobre a culpa, é terrível. Prefiro me sentir envergonhada. (p. 26)
  • A trajetória tradicional da vida humana deveria ser mais física na primeira parte e mais contemplativa na segunda. (p. 28)
  • Mas chega um momento em que você precisa reconhecer que não está mais adiantando nada e que realmente fez uma escolha (p. 29)
  • Sabe, quando eu estava escrevendo A doença como metáfora, tive a sensação repentina de que nesse livro eu também estava voltando à ideia de “Contra a interpretação”, porque, de certa forma, é isso que diz o texto: não interprete a doença. Não transforme uma coisa em outra. Eu nunca defendi que não se deve tentar explicar ou entender algo, mas você apenas não diz que o verdadeiro sentido de x é y. Não abandone a coisa em si, porque a coisa em si realmente existe. Doença é doença. (p. 38)Susan Sontag
  • Acho que foi você que mudou. Você é dez anos mais velho, é um freelancer envolvido com muito trabalho, e não há anda como o trabalho para fazer esse outro tipo de vida parecer menos atraente. Eu não penso em mim mesma como marginal particularmente porque não quero me sentar na calçada e usar drogas […]. Se quero ser marginal é no sentido de tentar muitas coisas e não terminar nenhuma delas [risos], mas não ser marginal no sentido de não fazer as coisas porque tudo é uma competição desenfreada. (p. 43)
  • Adoro ler do jeito que os outros gostam de ver televisão. E de certa forma eu adormeço assim. (p. 44)
  • Então quando vou ao show da Patti Smith no CBGB, eu gosto, participo, aprecio e me envolvo porque li Nietzsche. (p.45)
  • Uma coisa é ouvir punk rock como música, outra é entender a sensibilidade S&M-necrofilia-Grang Gigmol-A noite dos mortos vivos-O massacre da serra elétrica que deságua no punk rock (p. 47-8)
  • Mas está bem nítido que uma série de atividades da Nova Esquerda estava longe de ser um socialismo democrático e eram profundamente anti-intelectuais, o que penso fazer parte de um impulso fascista – anticultural, cheio de ressentimento e brutalidade, refletindo um tipo de niilismo. Há coisas na retórica do fascismo que soam como Nova Esquerda. No entanto, isso não equivale a dizer que a Nova Esquerda é uma forma de fascismo, coisa que todos os tipos de conservadores
    e reacionários tendem a declarar. Mas precisamos estar atentos para o fato de que todas essas coisas não são meros objetos, mas processos (p. 49)
  • Saber que a razão de as pessoas continuarem tendo uma ideia de sexualidade apenas como prazer – no sentido mais desejável como contato, amor e sensualidade – é o fato de não irem ao fim do que a sexualidade é… e provavelmente não irão, é claro, porque é o mesmo que brincar com fogo. (p. 50)
  • A gente poderia dizer que o fragmento é literalmente decadente – e não no sentido moral -, pois é o estilo do fim de uma era. (p.60)
  • Sempre tive um tipo de agnosticismo em relação às metáforas (p. 63)
  • Uma das minhas campanhas mais antigas é contra a distinção entre pensar e sentir, que é a base de todas as visões anti-intelectualistas: cabeça e coração, sentimento e pensamento, fantasia e julgamento. (p. 67)
  • Há uma estrutura intelectual de desejo físico. (p. 68)Susan Sontag 3
  • Não acredito que exista essa coisa de escrita feminina ou masculina. […] Eu diria que escrever é criar objetos (p. 70)
  • Minha ideia é desagregar tudo (p. 73)
  • Sou muito mais provinciana na minha vida do que na maneira como entendo o que é representado como arte – sou mais ecumênica em relação às artes e mais respeitosa com suas diferenças. […] Mas não tenho como viver num filme de Bressol ou Pagnol, e tenho que viver na minha vida e superar minhas próprias limitações (p. 89)
  • Acho que essa busca incessante não tem a ver com sexo, mas com poder. […] Não acho que sexualidade seja uma metáfora, mas sim uma atividade que tem sido dotada de uma série de valores que ela não necessariamente provoca. […] Acho que ninguém tem uma sexualidade natural (p. 98)
  • Por isso digo que, em algum momento da nossa trajetória, temos que escolher entre a vida e o projeto (p. 100)
  • Existe, sim, uma escolha entre a obra e a vida. (p. 100)
  • Não quero dizer que a pessoa precise se enfurnar em um quarto como Proust, mas acho que é preciso ter uma disciplina enorme, e a vocação de escritor, de uma maneira profunda, é antissocial. (p. 101)
  • Nenhum escritor sério atual é ingênuo. Você pode encontrar escritores sérios no passado que eram inocentes no sentido da relação que tinha com os problemas da forma e do que faziam (p. 102)
  • Antes não gostavam daquilo porque eram ignorantes e não conheciam nada. Hoje não gostam porque acham que sabem alguma coisa e se sentem superiores. […] Quando ouço alguém dizer que não gosta de Dostoiévski porque ele é caótico demais, eu digo “Espere aí!” Você poderia dizer que o fato disso é as pessoas estarem cansadas e precisarem descansar um pouco. Mas eu pergunto: para que elas deveriam descansar? (p. 107-8)

Jonathan Cott. Susan Sontag: entrevista completa para a revista Rolling Stone. Belo Horizonte, Autêntica, 2015.

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