CRÍTICO RASTEIRO

Ano passado, fui convidado pelo Lima Trindade, editor da revista VERBO21, a participar de uma proposta de crítica literária, escrevendo sempre poucas linhas sobre livros de poesia. O nome da seção é Crítica Rasteira. Até agora, publiquei comentários rasteiros sobre os seguintes livros:

NOVEMBRO/2013

MARCO DO MUNDO

W. J. Solha | Ideia, 2012.

Muito bom livro, esse Marco do Mundo, de W. J. Solha. Noventa páginas de um único, longuíssimo e ininterrupto poema que sabe alternar momentos de poesia em prosa ritmada e de versos curtos e incisivos, momentos do mais puro delírio poético e do mais comum e direto comentário, momentos de referências eruditas e de dicção francamente popular. Seguindo a linhagem de tantos importantes poetas da modernidade, que exercitaram com rara felicidade o poema longo, Solha afirma na abertura – por outro lado – desafiar com seu Marco do Mundoos poetas João Martins de Athayde e Leandro Gomes de Barros, que respectivamente em 1915 e 1916 escreveram cordéis com temas babélicos intitulados Marco do Meio Mundo e Como derribei o Marco do Meio Mundo. Se seu poema tradicionalmente emula dois grandes mestres da poesia popular brasileira, ele também está cheio de citações da história mundial. Aliás, a principal figura de seu livro é a enumeração, tal como Leo Spitzer teorizou há décadas. A enumeração é uma figura que tenta abarcar o que não é abarcável, a totalidade do mundo, suas línguas, obras, artistas, culturas, histórias, mitos, políticos, acontecimentos, dos mais distantes no tempo e no espaço aos mais próximos. Se, em alguns momentos, a enumeração soa excessiva é porque o mundo é excessivo, e abarcá-lo, impossível. Assim também o tentaram de diferentes maneiras a Ode marítima de Fernando Pessoa, os Cantos de Ezra Pound, O naufrágio do Titanic de Hans Magnus Enzensberger, A invenção de Orfeu de Jorge de Lima,Altazor de Vicente Huidobro, o Poema sujo, de Ferreira Gullar, dentre muitos outros grandes poemas do século XX. É a essa linhagem, e emulando a tópica cordelista-popular do mundo como uma Babel, que se vincula W. J. Solha e seu Marco do Mundo. Um livro para a poesia do século XXI.

QUARENTA E UNS SONETOS CATADOS

Alex Simões | Domínio Público, 2013.

Os Quarenta e uns sonetos catados de Alex Simões – em bonita edição artesanal da editora Domínio Público – contém setenta sonetos – 61 italianos e 9 ingleses, divididos em cinco partes. Ele se parece com um livro de formação, na medida em que recolhe sonetos escritos entre 1991 e 2013, formação não da subjetividade do poeta, mas do aprendizado da forma-soneto que, clássica, não o inibe, mas impõe seus riscos. Se na poética clássica, à diferença do experimento modernista, a técnica objetiva ser invisível, desaparecer e servir como recurso retórico para divertir, ensinar e persuadir afetiva e intelectualmente o leitor, eu diria que Alex Simões consegue seu objetivo, mesmo que às vezes às custas de ligeiras derrapadas e de um ou outro excesso sintático que tira a fluidez da frase – afinal, Alex não escreve nem no século XVI nem parece ser sua vontade emular um parnasianismo. Ao contrário, seu objetivo parece ser tocar o leitor mais comum e eventual possível, buscando os efeitos mais eficientes para afetá-lo. Aí está o grande leitmotiv da poética desse livro: o uso da forma clássica faz as vezes de limite poético-moral duramente buscado pelo poeta para afirmar o esforço de transgressão (poética e moral), também duramente construído. Não há na poética de Alex Simões o exercício de liberdade como ausência de limites, mas de paulatina conquista e ampliação dos limites. A presença de temas “elevados” como amizade, amor, perdas, saudade, terra natal, morte, melancolia e espiritualidade fazem par com a sexualidade homoerótica, do calão sexual e com o uso do léxico e da sintaxe coloquiais e cotidianas. A transgressão aqui funciona como o cruzamento de uma fronteira que paradoxalmente se vê reforçada, pois a sua ausência redundaria na inexistência de transgressão. Mas ao fim e ao cabo são os resultados que Alex Simões alcança no trato tanto dessas tópicas quanto da forma-soneto que mais interessam, e eles nesse livro dizem respeito às possibilidades de liberdade que a poesia tenta lograr e muitas vezes, no caso de Alex, consegue.

AGOSTO/2013

DOBRA: POESIA REUNIDA

Adília Lopes| Assírio e Alvim, 2009.

Adília Lopes, assinatura literária de Maria José Viana Fidalgo de Oliveira, publicou inúmeros livros desde a estreia em 1985. Pegou de surpresa o ambiente literário português, pouco afeito a experimentações fora dos padrões já relativamente institucionalizados desde as neovanguardas dos anos 50-60. Principalmente se os experimentos vierem sob a forma de uma poesia – como é a sua – de expressão programaticamente espontânea, até mesmo simplória, escrita em frases lineares e de enorme legibilidade, muito próximas de uma voz limpa, direta e confessional, livre de qualquer estilização e convenção poética, e valendo-se do imaginário cotidiano o mais banal possível, através de poemas com enredos e personagens, às vezes autobiográficos. Difícil ler na poesia de Adília Lopes algo digno daquilo que se chama de tradição literária além do conhecimento demonstrado pela autora em referências e citações de nomes consagrados como Camões, Mariana Alcoforado, Sophia Andresen, Marcel Proust, Florbela Espanca e Roland Barthes. Mesmo assim, esses conhecimentos vêm sempre atravessados por referências a produtos da cultura de massa, de xampus Johnson & Johnson a coleções de melodramas da Condessa de Ségur e personagens e enredos típicos de coleções literárias conhecidas como Biblioteca das Moças, resultando numa forte inflexão pop. No Brasil, Adília teve uma antologia publicada pela prestigiada coleção Ás de Colete, da editora Cosac Naify, no ano de 2002. Com organização do poeta Carlito Azevedo, então editor da revista carioca de poesia Inimigo Rumor. Depois dessa antologia, Adília caiu nas graças daqueles que rodeavam o organizador, virando uma espécie de musa cult de jovens poetas cariocas. Mas sua poesia passa longe de ser uma mera “poética do cotidiano”, sendo também uma complexa reflexão sobre o lugar da poesia em um mundo em que arte e mercadoria deixaram de ser coisas diferentes. Não que a arte tenha perdido seu feitiço. No entanto, passou a dividir o poder encantatório com uma gama infinita de produtos. Com versos de enorme banalidade, sem qualquer profundidade ou complexidade, Adília desenvolve em seus poemas um novo lugar para a poesia num mundo igualmente banal e sem qualquer profundidade. Muitos não gostam desse lugar. 

OBRA POÉTICA REUNIDA (1989-2009)

Araripe Coutinho | J. Andrade, 2011

A reunião em um único e volumoso exemplar (633 páginas) da obra poética do morador e cidadão honorário de Aracaju, embora nascido no Rio de Janeiro, deveria ser saudada como uma grande evento literário. Mas o poeta nunca caberá confortável nesse perfil, pois se ao mesmo tempo cultiva uma imagem pública de excêntrico – bem ao gosto do olhar contemporâneo e midiático sobre qualquer artista um pouco mais visível – sua poesia comporta uma excentricidade que – através de piscadelas de olho para o leitor – faz do jogo de cena da poesia um jogo obsceno. Araripe escreve claramente com a percepção de que erotismo é poesia corporal e poesia, erotismo verbal, e faz disso o motivo principal, porém não exclusivo, da sua poética. O gosto pela transgressão erótica (não reprodutiva, diante da sexualidade reprodutiva) e verbal (o quase silêncio da poesia, diante da comunicabilidade da prosa), no entanto, vai mais além, pois sua erótica é uma na verdade uma homoerótica. Mas o que poderia ser um erotismo absolutamente contra natura se encontra com a natureza, pois os onipresentes êxtases carnais com muitos e variados homens em sua poesia também se confundem com os êxtases da unio mystica com Deus. Irmã do excesso de prazeres e do gozo, a poesia de Araripe também é irmã da pulsão de morte e do desejo de encontrar Deus, cheio de culpa pelo gosto excessivo do pecado: “Guardo para a morte o meu portal de fogo / A minha urna secreta, o meu facho de incêndios / Porque a morte é irmã do amor / arca de perdões (…)”. Daí que o amor à arte e a artistas, assim como os amores proibidos e sagrados são coerentemente reunidos em uma poesia de vislumbres extáticos e vislumbres de paz salvadora, vislumbres humanos, demasiado humanos, como em “Vida em ridículo”: “Podemos antecipar as trevas / Enquanto tarda / O amor das espadas. / Dizes: sóbrio pousas sobre minhas feridas. / Eu peço. / A vida em ridículo se desfaz”. Como uma oração de amor às formas de amor, Araripe Coutinho se entrega de corpo e alma ao seu leitor nesse volume que faz jus à poesia.

MAIO/2013

CAIR DE COSTAS (poesia 1992-1983)

Ronald Augusto | Éblis, 2012.

Cair de Costas, de Ronald Augusto, tem de ser lido como um esforço programático contra o beletrismo retórico de certa poesia mais reconhecível (como poesia) e contra o discurso do bom burguês embranquecido nos racismos brasileiros. Sendo ambos os esforços as duas faces da mesma moeda. Nos espinhosos versos de Ronald (que aqui reúne seus cinco primeiros livros de poemas), beletrismo e racismo são senha e contrassenha de uma mesma história que entende a transparência da comunicação como meio de hegemonia (também racial). Daí a tática do poeta: desnaturalizar vocábulos, escurecer significados e confrontar o senso comum (literário ou não) com uma sintaxe esburacada, proveniente de uma fala gaguejante somente discernível como um pretoguês poético. Por isso opta pela linguagem cheia de (re)quebras, arestas, fraturas e buracos negros dos sentidos, onde o leitor some após alguma estocada de desengano: “não prestei o menor esclarecimento / ao otário do meu chefe / fui na cidade faladeira me provalecer / com a bonitinha da botica // o preto aprecia uma complicação // mina / ela amarra o lenço no pixaim / fica coçando a xota / e diz quase em canto / prefiro acabar nova nova”. A poesia de Ronald passa a milhas do que hoje é a jovem poesia que bomba no mercado editorial e é moda nos cadernos e sites culturais. Mas sua tradição é bem brasileira, a de um construtivismo mesclado com calão satírico das ruas: “arrumo nos lundus / mais lentos as duras / descobertas que fiz / as iluminuras // de dor que por tudo / calculei         quem sabe / nem tanto         tomara / proveitosa agave // tão sem meias setas / e certa e exausta / salvam-se as negras / de tudo que fausta”. Difíceis, esses poemas fazem cair de costas, mas todo bom leitor, à semelhança de bom capoeirista, sempre sabe cair quando empurrado para a roda do jogo que essa poesia propõe. 

UMA VIAGEM À ÍNDIA

Gonçalo M. Tavares | LeYa, 2010.

Lançado como evento bombástico em 2010, junto à estreia da editora portuguesa LeYa nestas plagas, este livro de Gonçalo M. Tavares elevou à enésima potência suas ambições literárias, largamente conhecidas por sua enorme produtividade. Aqui ele escreve um épico que deseja ser uma releitura da viagem arquetípica de Os Lusíadas (nada mais redundante, vindo de um português), com intertextos variados. Bloom será o personagem principal da viagem: “Falaremos de Bloom / e de sua viagem à Índia. Um homem que partiu de Lisboa” (2, I), cujo objetivo é: “Trata-se simplesmente de constatar / como a razão ainda permite / algumas viagens longas” (4, I). Mas o grande problema das viagens de Gonçalo é que elas não se permitem ser longas. O que possuem de melhor é, por um lado, o uso inteligente e episódico de mestres da literatura moderna e, por outro, a alegorização pontual de questões pretensamente político-filosóficas. Tudo absolutamente adequado a leitores contemporâneos, ou seja, sem aprofundamentos desnecessários, apenas sugestões muito bem urdidas nas tramas. Se essas não resistem a uma perquirição mais detida, é porque não se interessam por isso, sendo apenas um charme de superfície do pensamento. Isso é perceptível tanto na série “O Bairro” quanto na tetralogia “Os livros negros” ou nos poemas de 1. Mas ao tentar unir todo esse aparato – o diálogo intertextual com grandes nomes da tradição literária sustentando um pensamento filosófico alegoricamente construído na superfície do discurso – em um texto que decalca uma epopeia (fragilmente modernizada), o que vemos é um naufrágio retumbante. Autor ideal para nossos tempos, com livros curtos, ágeis e com uma pretensa sofisticação, com referências ao arquivo da modernidade artística tornado pop, e que por isso não exigem tanto do leitor, embora sempre tragam alguma crítica de fácil manuseio (pop), Gonçalo em Uma viagem à Índia errou o alvo por excesso de tudo isso ao mesmo tempo. Por excesso de palavras. 

ABRIL/2013

DEPOIS DOS NAUFRÁGIOS

Cláudio Matos | EGBA, 2011.

Herdamos do pensamento romântico que os poetas falam por línguas poderosamente pessoais. Penso isso ao ler o livro de estreia de Claudio Matos. Não porque seus poemas sejam herméticos, pois não são, mas porque seu livro é dono de um discurso bastante pessoal, como um projeto lentamente gestado e executado; ao contrário do que a data no fim de cada poema possa sugerir, e mesmo referendar. Dividido em três partes, chamadas “Livros internos”, mas que não são livros verdadeiramente independentes, pois o segundo possui apenas um único e pequeno poema, Depois dos naufrágios é aberto por dois “poemas-prefácios” e por uma “sinopse-melodia” em duas versões: “para músicas mais arrastadas” e “para músicas mais rápidas e alguns silêncios”. É o livro de estreia de um jovem poeta, exemplar de “uma poética dos comuns”, como ele chama, anônimo, bancado às próprias expensas, cheio de vontade titânica e orgulho poético, cheio de emoção e experiência concentrada em versos melancólicos, mas por tudo isso muito bonitos, e que apontam para um poeta em formação, mas um poeta, que com mais experiência com as palavras pode ainda render muito mais. Mesmo que “ninguém o leia”, como também afirma repetidas vezes em versos, todos nós precisamos de quem fale de amores desiludidos, sonhos, impotências, esperanças e leituras. Com unidade afetiva e conceitual. Solitária, e poderosamente pessoal. 

O LIVRO DE ÁGUA

Karina Rabnovitz e Silvana Rezende | P55, 2013.

Há alguns anos, vi a ex-manager do Grupo Record, Luciana Villas-Boas, afirmando que os livros acadêmicos e de poesia seriam os primeiros a migrar para formato digital dos ebooks. O raciocínio dela fazia sentido. Ainda faz. Mas muito pelo ponto de vista comercial. Enquanto produto artístico, os livros de poesia parecem ter vida longa a desenvolverem no âmbito do livro artesanal, e esse O livro de água, feito a quatro mãos por uma poeta (Karina) e uma artista visual (Silvana) é prova disso. Lançado este ano – articulado a uma exposição multimídia e a performances – o livro traz 96 cartões ilustrados e numerados com bonitas fotos manipuladas que incluem breves poemas – alguns fotografados em cadernos e suportes diversos – todos agrupados em uma caixa de plástico transparente. Alguns afirmam que a poesia não pertence à arte literária, mas que estaria muito mais próxima da música ou das artes plásticas. É essa afirmativa que Karina e Silvana parecem endossar. Além da união de imagem e poesia, os cartões observados em ordem parecem formar uma sequência melódica de imagens e palavras, trazendo a música também para o livro. Daí pensei que cada um poderia montar, inclusive, sua própria sequência musical. TS Eliot dizia que a música na poesia moderna está na sequência das imagens em um dado poema. Karina e Silvana parecem dizer que ela está na manipulação por parte do leitor das imagens e palavras propostas. Importam menos, nesse livro, os textos dos poemas do que o discurso total do livro, as ideias e conceitos embutidos no projeto das duas autoras. E isso é poesia e experiência.

JANEIRO/2013

A MULHER QUE MATOU ANA PAULA USHER

Luis Augusto Cassas | Imago, 2008.

O livro tem como subtítulo “poema-romance”, o que pode ser a princípio uma novidade ou uma invencionice vazia. Mas eu diria que nem um nem outro. Ele é composto – em sua maioria – de poemas que parecem ter sido escritos autonomamente, mas que no conjunto funcionam formando uma unidade discursiva que – para além da textualidade mais bem trabalhada aqui, menos bem ali – soube plasmar fragmentação e articulação eminentemente poéticas. Mesmo textos que estão muito longe de funcionar se lidos autonomamente (“Padaria”), na perspectiva de um “poema-romance” trabalham em prol do enredo e se justificam. Sendo então disso que trata o atrativo do livro de Cassas: possuir um enredo que mobiliza o leitor ao longo de fragmentos poéticos e que – a par de possuir léxico, sintaxe, referências e intertextos funcionalmente ora mais cultos, ora mais vulgares, ou mesmo pop, em textos que são ora mais ora menos ritmados – soube operar com os tradicionais topoi do amor erótico e do amor místico, atravessando-os também de uma contemporaneidade bastante produtiva nas suas imagens.

ESPIRAL

Luiz Otávio Oliani | Editora da Palavra, 2009.

O livro é uma antologia, uma recolha da mais recente produção do poeta. E consegue isso muito bem, pois há um esforço de estilística, decorrente de um trabalho formal e de um aprendizado lírico. Nele encontramos um lirismo subjetivo permeado pelos limites da consciência metalinguística (“Rabo de arraia”, “Entalhe”, “Processo”), interrogação existencial modulada por sintaxe e versificação funcionais (“Do tempo das coisas”, “Viagem”, “Des-pertença”), automistificação do poeta e observação crítica do mundo (“Casa”, “Meteorito”), sempre em poemas curtos. Mas no final da leitura resta a impressão de que um livro de poemas feitos para serem lidos um a um, solitários e avulsos, não funciona mais em nosso convulsivo mundo se não possuir também poemas convulsivos e que provoquem algum tipo de espanto. Mais ainda, o livro cansa se não possuir – para além de poemas corretos – alguma inquietação maior, a poesia para além do poema. De poemas avulsos corretamente escritos e que têm a função de nos preencher intimamente, a internet e os livros canônicos estão cheios. E bastam.

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