aula

 
na enésima aula
a aluna de sombra azul
nos olhos e na mão
ergue o dedo
no meio do texto
que em voz alta leio
para orelhas furadas
por falsos brilhantes
na enésima aula
a aluna de sombra azul
nos olhos e nas orelhas
me lança a pergunta
sem freios
de onde você veio
seu sotaque é
estrangeiro
titubeio na leitura
engulo a seco
o resto do texto
fico em beco sem saída
saia justa, sem eira
nem beira – mas
emendo uma fábula
também em voz alta
na enésima aula
para a aluna de sombra azul
nos olhos e na boca
sou de um platô
que fica no meio
e no alto de uma ilha
tenho uma história curta
uma memória sem nenhuma
glória – por isso
conto a prosa 
dos meus anos
sob a forma
de um poema
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