esquemas pessoais

Leio o trecho abaixo, de O prazer do texto, do Roland Barthes:

Texto de prazer: aquele que contenta, enche, dá euforia; aquele que vem da cultura, não rompe com ela, está ligado a uma prática confortável da leitura. Texto de fruição: aquele que põe em estado de perda, aquele que desconforta (talvez até um certo enfado), faz vacilar as bases históricas, culturais, psicológicas, do leitor, a consistência de seus gostos, de seus valores e de suas lembranças, faz entrar em crise sua relação com a linguagem. (Editora Perspectiva, p. 21-2)

e algumas coisas se insinuam para mim:

1) o mercado – e seu ambiente natural, os meios de comunicação – produz textos de prazer sob forma de alegorias de massa, tópicas retóricas que movem grande parte da lógica identitária da cultura contemporânea. Aqui encontro a arte como produto de lugares-comuns.

2) os textos de fuição (gozo) hoje são o que devem ser: experiência pessoal, intransferível e incomunicável, pelo menos nas bases do senso comum, o que rendunda geralmente em laivos onírica e anacronicamente artistocráticos, e muitas vezes risíveis. Aqui encontro a arte como dádiva.

Eu sei, tudo absurdamente esquemático aí acima, mas preciso de esquemas para sentir que me comunico com algum prazer, do contrário seriam só os arrepios que me assaltam no meio da noite, como uma experiência mística qualquer. Ou talvez apenas busque justificativas banais para minhas precariedades e desfalecimentos.

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