ROCK, EDUCAÇÃO SENTIMENTAL E LITERATURA

Salvador, 1986, ele morava no balneário tropicaos de Itapuã. Tinha 15 anos e ouviu o EP (algo que na época era redescoberto pelo mercado fonográfico brasileiro) com 7 músicas de uma banda da cidade em que nascera. Aquele vinil o acompanhou por muito tempo e hoje o CD. Relação afetiva, pois já não o ouve mais. Conhece de trás para frente as músicas, que fizeram parte de sua deseducação sentimental. Pensando um pouco sobre a literatura de hoje no Brasil, lembrou-se da música abaixo e de como ela fala tão bem do mercado literário de agora. Fala, aliás, da vida de agora.

MINHA RENDA

Você me prometeu um apartamento em Ipanema,
iate em Botafogo, se eu entrasse no esquema;
contrato milionário, grana, fama e mulheres,
a música não importa, o importante é a renda!

Ambição – grana, fama e você.
Ambição – grana, fama e você.

Tenho fazer sucesso antes que seja tarde,
eles acham que eu vendo, eu tenho uma boa imagem,
o meu produtor, ele gosta de mim:
grana vale mais que a minha dignidade.

Tocar no Chacrinha ou na televisão,
tudo isso ajuda pra minha divulgação,
isso quer dizer mais grana pra produção – e pra mim!

Você me comprou, pôs meu talento a venda,
você me ensinou que o importante é a renda,
contrato milionário, grana, fama e mulheres,
a música não importa, o importante é a renda!

Ambição – grana, fama e você.
Ambição – grana, fama e você.

Ele trocam minhas letras, mudam a harmonia,
no compacto esta escrito que a música é minha.
Ja sei o que vou fazer pra ganhar muita grana:
vou mudar meu nome para Herbert Vianna!

Estar no Chacrinha ou na televisão,
tudo isso ajuda pra minha divulgação,
isso quer dizer mais grana pra produção – e pra mim!

Grana, fama e você!

Um lá menor aqui, um coralzinho de fundo,
minha letra é muito forte? Se quiser eu a mudo!
E tem que ter refrão (sim!), um refrão repetido.
Pra música vender, tem que ser accessivel!

Ambição – grana, fama e você.
Ambição – grana, fama e você.

Não sei o que fazer, grana tá difícil,
tenho que me formar e nem escolhi um ofício.
Você é músico, não é revolucionário!
Faça o que eu te digo que te faço milionário!

Estar no Chacrinha ou na televisão,
tudo isso ajuda pra minha divulgação,
isso quer dizer mais grana pra produção – e pra mim!

A minha renda!

[Plebe Rude, O concreto já rachou! RJ: EMI, 1985]

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