A MAIS ESTRANGEIRA DAS LITERATURAS

O título do post vem de um famoso curso dado pelo professor Jorge Fernandes da Silveira, titular de Literatura Portuguesa da UFRJ; e também da publicação de jovens autores portugueses cada vez mais abundante por Pindorama. Louvável, pois os “novíssimos” lusitanos são bastante diferentes dos nossos “novíssimos”, da nossa Geração Pós Pós (e não me refiro às antologias que os lançam, refiro-me aos livros em geral). Em Portugal ainda há um vigor inteligente na literatura desses jovens que impressiona quem vive em Pindorama, vigor e inteligência que não redundam em maneirismos que logo viram moda literária. Há inventividade e busca de (ainda?) originalidade com uma cara contemporânea, bastante diferente do contemporâneo que os “novíssimos” brasileiros gostam de traduzir por popismo, populismo, publicismo ou algo do tipo. Há os nossos que verdadeiramente escapam do “popismo”, mas parece ter se tornado por aqui uma quase-regra (exceções só confirmam a regra) se torcer o nariz para manobras mais inventivas (leia-se, inteligentes); e o que mais me espanta (huuummm, acho que não espanta): leitores, jornalistas e críticos gostam, querem e se identificam com as manobras. Tropicaos! Digo isso porque depois de Gonçalo M. Tavares, José Luis Peixoto, Inês Pedrosa (a menos literariamente ambiciosa dos três), por exemplo, lança-se por aqui o muito bom valter hugo mãe, entrevistado e resenhado no Prosa & Verso. Falta mais de Manuel de Freitas e Luis Quintais (que já tiveram antologias de pequena circulação editadas por aqui), Carlos Bessa e outros, mais antigos, como Isabel de Sá, Luis Miguel Nava e Al Berto (Adília Lopes já foi e faz sucesso por aqui, com poetas e em salas de aula). Será que um dia a literatura portuguesa deixará de ser mais estrangeira para Pindorama do que a francesa, a norte-americana, a inglesa, a espanhola e a argentina? O mesmo vale para as recém-descobertas Literaturas dos PALOP. Que nos respondam as ricas editoras brasileiras, que alimentam baixarias por prêmios, tão interessadas em manter a barreira que impede a livre circulação de livros nos países de língua portuguesa.

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