AOS AMIGOS

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.

Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,

com os livros atrás a arder para toda a eternidade.

Não os chamo, e eles voltam-se profundamente

dentro do fogo.

– Temos um talento doloroso e obscuro.

Construímos um lugar de silêncio.

De paixão.

[Herberto Helder. “Lugar” In. Poesia toda. Lisboa, Assíro e Alvim, 1990, p. 117]

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