SOCIEDADE DE CONTROLE

Caveira, de Andy Warhol

Fico com meus botões lembrando da música do Clash cuja versão o Camisa de Vênus fez há quase 30 anos (uff!) com o nome de Controle total, citando nomes de bairros de Salvador.

Sou absolutamente contra a moda jurídica de o Estado gerir a vida cotidiana dos consumi… ops, cidadãos, hoje tão incapazes e infantilizados, mas a notícia de toque de recolher para menores de idade – diante da constatação (sempre submensurada) de que mesmo com a redução do número total de ocorrências o número de adolescentes assassinados cresceu mais de 30 % em Salvador – me parece aterrorizante acima de qualquer sentido. Não sou sociólogo, acho os sociologismos da imprensa necessários, porém limitados, mas a capital baiana precisa se repensar urgentemente. E infeliz da cidade que confunde se repensar com repensar o circuito do carnaval.

É exatamente nesse cenário que a alegoria volta com força, desta vez a alegoria seiscentista da caveira, predizendo a inevitabilidade da morte (memento mori) e a precariedade da vida em Hamlet, no Sermão do Demônio mudo, de Vieira, e em tanta iconografia barroca. Mas volta hoje na alegria ambivalente da pop art, tão deliciosamente kitsch, tão prazeirosa, puro princípio de prazer. Como o consumo. Sem nada para além, só a caveira, a lembrar aos luxuosos Embaixadores de Hans Holbein o limite da fantasia, como uma mancha fantasmagórica:

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