FESTAS E LEITORES

Quarta-feira 28/07 me ligaram do Jornal A Tarde e me convidaram para escrever um artigo sobre a atual onda das Festas Literárias e Bienais. Escrevi um pequeno texto de 20 linhas. Depois me pediram para ampliá-lo um pouco, mas o novo seguiu um pouco tarde demais devido a alguns compromissos meus. O primeiro foi publicado no Caderno 2 do sábado 31/07. Publico agora o texto refeito que não foi publicado. Não é muito diferente do primeiro.

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Qualquer pessoa envolvida com livro e literatura tem a impressão de que houve um ligeiro fortalecimento dessas áreas no Brasil. Pesquisas recentes apontam para um pequeno crescimento no número de leitores. Por um lado, nunca se publicou tantos livros como atualmente, por outro lado, nunca se ouviu falar tanto em novos escritores, assim como também nunca se viu a realização de tantas Festas Literárias e Bienais. Lembremos que nesse tempo as grandes editoras estrangeiras finalmente chegaram ao país para ficar. Junto com essas editoras chegou também uma forma de divulgação estratégica de livros que existe na Europa há tempos: as Festas Literárias. Por lá, são as Feiras, que unem tanto a divulgação junto ao leitor (com leituras públicas e horas de autógrafos) quanto a parte dos negócios e contratos entre editoras, agentes literários e livreiros. Paraty, Porto de Galinhas, Santa Tereza, Pirenópolis são algumas dessas Festas brasileiras. O observador mais atento, no entanto, sabe que à margem das mais visíveis e endinheiradas Festas e Bienais, há também o aparecimento de pequenos eventos sem grandes patrocínios editoriais, mistos de shows, oficinas de escrita, bate-papos e leituras coletivas. Na Bahia, a Bienal do Livro, que parece já estabelecida no calendário do Estado, caminha aos poucos para poder ser menos um feirão de venda dos estoques das livrarias e mais um espaço de reflexão, conversa e aprendizagem, mas há também grupos de escritores que lêem seus textos com músicos, contadores de histórias, cordelistas, MC’s em batalhas de verso, ritmo e rima, saraus em crescimento. Daí que há de se destacar a chegada desses eventos literários como parte efetiva de uma economia global da cultura, mesmo que às vezes não se distinga nesse cenário entre o que é livro meramente técnico e informativo e livro literário, pedagógico e formador de valores, e se corra o sério risco de se confundir o papel do mercado com o da escola.

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