ELEGIA EM QUE O POETA FAZ O ELOGIO DA RECUPERAÇÃO APÓS PERDAS SOFRIDAS

Perder-te no fio da lâmina do afeto,

perder-te ferido a faca, peito contra a terra,

perder-te cego no sertão entre prédios,

descarnando o corpo no sol sem saídas.

A brasa que esquenta o sangue esfriou

na saraivada de balas pelas costas do amor

(ando só e ando na rua,

entre o vício e o delírio de estar entre os nobres,

e a beatitude dos bichos não sara

as feridas do meu largo dos aflitos).

No colo das crianças, colho a flor da transmigração,

guardo-a na língua com que afio o destino dos dentes.

O sítio onde a sinto quase fria é ainda vivo:

verticalizo nele a insistência da flor em existir no luxo

que meu amor desfolha à força de ainda se querer tudo.

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