DOIS FRACASSOS, UM SENTIMENTO

UM POUCO DE REALIDADE

Vou de passo em passo como quem
transmigra de vida em vida
em busca dos seus mortos felizes.

Sinto perdido o sono que nunca tive,
mas que imenso desejei na
ruminação entredentes da vigília.

Sinto perdida essa mesma vigília
que me escapa pesada das mãos,
paradas à espera do adeus.

Sinto perdido o mundo que não vi,
a guerra em que não lutei, o poema
que não escrevi. Nem escreverei.

Desembarco deste carro como quem
embarca na busca de abrigo,
em novo lar desconhecido.

A necessidade faz o hóspede
que não foge ao seu destino,
mesmo que para isso sinta perdido

o que nunca teve nem terá, mas que
intensamente sempre buscou.

DESCONCERTOS

Muitos livros pela casa
alguns mitos na cabeça
pais devidamente mortos
 filhos se multiplicando
som no máximo volume
olhos que ainda dormem
tudo muito perto e incerto

Cigarro queimando os dedos
televisão fora do ar
vida passando veloz
meus infernos pessoais
que arrisco pouco em pensar
como o exterior da vida
quando infernos na verdade
são o centro mais precioso
do que temos de nós mesmos

No meu caso por exemplo
alguns livros pela casa
muitos mitos na cabeça
pais redivivos em mim
filhos se multiplicando
som no máximo silêncio
olhos que não dormem mais
tudo muito pouco perto
neste desconcerto imenso
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