A MORTE DE AL BERTO

cruzas fronteiras vigiadas e levas junto o teu corpo. a noite desaba sobre os dias, abre suas portas, libera seus monstros: moloch, polifemo, adamastor e o golem, que caminham a teu lado. és um filho do mundo e levas no fundo dos bolsos todos os silêncios calados, impossíveis de dormir, todavia. o medo te leva e está em teus olhos, medusados por tua própria imagem, espelho fitando fantasmas. daí que escreves com o medo na ponta dos dedos e uma corrente de ferro atada aos tornozelos. tudo para quanto olhas inapelavelmente estremece: teu olho não mais se enternece com a miséria, teu olho é a própria miséria, habita em tua pele, cresce por teus pêlos e procria teus animais mais ferozes, teus acidentes mais fatais, teus amores sem norte. teu corpo é um monstro de pedra afundando navios vazios de ouro, sonhos ou qualquer tesouro, pois todos os comércios cessaram com o frio que chegou. hoje só restam violências e odes marítimas, saques e guerrilhas retóricas, ameaçando teu corpo sombrio e solitário – encarando mortalmente o corte da tua vida.

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