POSTAGEM 24

Dedicar-me à escrita como a um tipo de trabalho manual. Selecionar. Marcar. Recortar. Colar. Rasurar. Repetir. Separar. Gravar. Descartar. Pintar. Redistribuir. Trabalho plástico. Registro da força exercida pelo complexo mente-corpo sobre uma superfície lisa. Impressão. Processo. Repetição. Obra. Ou nem sempre lisa. Muitas vezes já existem rugas, trilhas abertas. Então forço mais, aprimoro desenhos, esculpo novos ao lado, talho sulcos divergentes ou convergentes. Lutas com o mundo. Sujeitar(-me) (a)o mundo para constituir-me sujeito. Processo. Repetição. Para começar a caminhar leve, livre de fantasmas, do peso da anterioridade. Construir minhas próprias referências para tornar-me maior, independente. Não há anjos tutelares. Há intercessores por quem cruzo, me apreendem e me deixam seguir. Linhas cruzadas. Seus perigos: rebater a força criativa; suas forças: imprimir velocidade de subjetivação no embate com o outro e com o mundo. Posição das mãos na queda de braço. Eis do que se trata quando falo de escrever: concentrar energias nas mãos dispostas sobre o teclado, tronco erguido, pescoço atento, olhos vidrados, pés no chão. São condições para qualquer gesto que se queira capaz de transformar.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s