LITERATURA / ESCRITURA

Entedia-me a literatura. Às vezes quero apenas a escrita. E os “jovens escritores contemporâneos”, que reclamam que se leia e estude a “literatura contemporânea” (o que também já fiz), agem como divas em busca de publicidade e afago e esquecem que a escrita de Gôngora é tão contemporânea quanto a de Herberto Helder, a de Sade, quanto a de Hilda Hilst, a de Camões, quanto a de fulano de tal [Vinícius de Moraes(atualizado em 07/08)]. Dizer que cada um escreve preso ao seu tempo e que apenas os contemporâneos nos traduzem é tão mesquinho, medíocre e falso com a escrita que só posso pensar que desejam se institucionalizar; gesto tão próprio a sociólogos e historiadores (mesmo os da literatura) e que beira o tipo de pensamento mais banal e vulgar de hoje e de sempre neste país de sérios problemas de auto-estima. País que ignora o quanto a prática regular da escrita pode trazer de produção de força e potência.
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A relação com Barthes não se situava no plano intelectual, e menos ainda no plano doutrinal. Acho que a aura que, ao meu olhar, o envolvia vinha do fato de que graças a ele a linguagem tinha deixado de ser uma angústia. A partir de então eu podia estar certo de que a linguagem não poderia me trair, que ela não poderia mais me trair, que ela jamais me trairia. Que bastava que eu me debruçasse sobre ela com amor e confiança para encontrar a verdade, e que um uso verdadeiro da linguagem fazia aceder ao verdadeiro.
[Éric Marty. Roland Barthes: o ofício de escrever. Rio de Janeiro, Difel, 2009, p. 99.]
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