A ARTE DOS ROSTOS

Visitando a exposição de OSGÊMEOS no CCBB-Rio, ouvi uma professora ou guia falando para uma série de crianças sentadas no chão com ela sobre o realismo fantástico presente na arte de rua dos grafiteiros paulistanos. Enquanto olhava seus desenhos, pensei em outras denominações, mas lá pelas tantas me decidi mesmo foi pelo realismo, sem qualquer fantasia. Não falo do realismo das representações dos grafites – que vão desde os trilhos de metrô até espirais oníricas à lá Alice no país das maravilhas -, mas daquilo que me parece ser o grande motivo dos artistas: os rostos. Eles são mestres na arte dos rostos. São a primeira coisa que me ocorre quando falo do que fazem OSGÊMEOS. Rostos com formas, traços fisionômicos e cores marcantes, que saltam da pintura, se fixam na mente e levamos para todo canto conosco. Toda a tradição de retratos da pintura ocidental está nessa arte, mas não da mesma forma. Derrida em algum lugar cita Lévinas sobre a “direiteza da acolhida feita ao rosto” para definir a justiça do direito; daí que penso em como OSGÊMEOS tornam visíveis os rostos invisíveis das ruas para os que vivem pelas ruas, rostos do outro da “arte de museu”, que destaca sobretudo o próprio artista, sua “genialidade”. OSGÊMEOS relevam rostos que nos olham quando não os olhamos, rostos que nos encaram enquanto não os encaramos, cobram-nos olhá-los nas ruas. Não são rostos que queiram sair do anonimato: estão longe e querem continuar longe da lógica da celebridade. São rostos iguais na sua singularidade. São nossos rostos. Devemos com eles nos identificar.
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