POLÍTICAS DO ANONIMATO

O Brasil não tem tradição de escritores com nomes autorais. Não falo nem diretamente de pseudônimos, quando servem para manter o anonimato dos escritores que querem detratar alguém. Falo de quando escrever é um ato que exige de quem o faz uma subjetividade pública outra. Gosto de quem se inventa escritor, e o nome autoral é uma espécie de assinatura concreta dessa vontade. Portugal é cheio de exemplos, a começar, obviamente, pelo de F. Pessoa. Mas quero com essa conversa falar mesmo é da potência do anonimato nos dias de hoje. Não para fazer frente a qualquer celebrity system demonizado, mas para ser capaz de produzir um espaço de maior autonomia, de maior fôlego, maior abertura subjetiva, de ar livre, enfim. Diante do excesso de informação, da necessidade de fazer e acontecer, no trabalho, na rua, junto a amigos, família, no montar-se para sair, como se fosse subir num palco, o anonimato (que é diferente da discrição…) me parece ser aquele tipo de posicionamento que hoje chamam resistência. Mas como ser anônimo nos dias de hoje, quando a sensação de existir está mais e mais colada ao olhar que os outros têm de nós, da maior ou menor visibilidade que se possui? Escrever e publicar poesia parece uma alternativa de vida produtiva no anonimato. Acho que foi Barthes que disse que a poesia é uma espécie de despoder. Outra forma é a própria internet, que possibilita esse jogo de nomes. Aliás, pretendo ser outro em breve.
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