VALLEJO

Passeando hoje os olhos pela lombada de alguns livros em um sebo, me deparei com uma um pouco antiga Poesia Completa, traduzida no Brasil por Thiago de Mello, do poeta peruano Cesar Vallejo, e por um preço indecente de baixo. Compartilho:

INTENSIDADE E ALTURA

Quero escrever, porém me sai espuma,
quero dizer muitíssimo e me atolo.
Não há cifra falada sem ser soma,
nem pirâmide escrita sem cogoilo.

Quero escrever, porém me sinto puma,
quero ter louros, porém me encebolo.
Não há tosse falada além da bruma,
nem deus nem filho seu sem desabrolho.

Vamos, então, por isso, comer erva,
carne de pranto, fruta de gemido,
nossa alma melancólica em censerva.

Nos vamos, vamos, porque estou ferido;
vamos beber o que já foi bebido,
e vamos, corvo, facundar a corva.

[Cesar Vallejo (1892-1938), Poesia Completa, Rio de Janeiro, Philobiblion/Rio-Arte, 1984, p.196]

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