POSTAGEM 16

Apesar de alguns momentos de grande lassidão, o amor começa a entrar pelos meus poros e a movimentar minha máquina de carne e ossos. Você ri e diz que finalmente mudei de assunto? Você não imagina o quanto tento mudar meu modo de olhar as coisas. Mas eis que já começo a saber: não há corpos sem incorporais. E o amor é o mais poderoso de todos os incorporais, com sabia muito bem Camões. Ler Os Lusíadas pela clave da Lírica, procurar o amor entre corpos ardentes em meio à maquinaria bélico-estatal do corpo político. Estratégia de leitura para fazer emergir os corpos amorosos e afetivos na atualidade política: “Antes na altiva mente, / No sutil sangue e engenho mais perfeito, / Há mais conveniente / E conforme sujeito / Onde se imprima o doce e brando afeito.” Esse final da Ode 1 me soa como uma profissão de fé do sujeito afetivo de que fala Roland Barthes no belo livro que é Fragmentos de um discurso amoroso. Você leu? Pois é, também começo a entender que na verdade não tento mudar muita coisa, diferentemente do que acima escrevi, não enquanto não conseguir apaziguar algo que corre em minha pele e cujo nome desconheço. Escrevo para (me) apaziguar. E a repetição é estratégia de pacificação de mim contra mim mesmo, de monge contra soldado. Ambos lutam para me civilizar. A escrita e meu corpo são os campos de batalha. Hoje, nesses campos, me bati suavemente com o amor. Espero que você se bata com o seu e goste assim como gostei. Amanhã retorno à luta. Que vença a delicadeza, é o meu desejo por hoje.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s