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Herberto Helder publica novo livro, “A Faca não Corta o Fogo” (de Notícias.RTP)
Lisboa, 07 Out (Lusa) — Herberto Helder, considerado um dos maiores poetas portugueses vivos, publica quinta-feira um novo livro, intitulado “A Faca não Corta o Fogo — súmula & inédita”, com a chancela da Assírio & Alvim.
O volume, que reúne uma parte de reescrita da sua obra anterior e alguns inéditos, tem 207 páginas de poesia e uma capa ilustrada por Ilda David, em tons de azul e amarelo.
De Herberto Helder, um poeta que deu a última entrevista em 1968, recusou o Prémio Pessoa em 1994 e vive em auto-reclusão, pouco se sabe, além de que se chama Herberto Helder Luís Bernardes de Oliveira, nasceu no Funchal, a 23 de Novembro de 1930, e reside em Lisboa, com a mulher, Olga.
Frequentou, a partir de 1949 e durante três anos, o curso de Filologia Românica da Faculdade de Letras de Lisboa, que não chegou a concluir, e começou por trabalhar na Caixa Geral de Depósitos e, em seguida, como angariador de publicidade, período durante o qual viveu numa “casa de passe”.
Em 1954, data da publicação do seu primeiro poema, em Coimbra, regressou à Madeira, onde trabalhou como meteorologista, mudando-se depois para o Porto Santo.
Quando regressou a Lisboa, em 1955, frequentou o grupo do Café Gelo, formado por figuras como Mário Cesariny, Luiz Pacheco, Hélder Macedo, João Vieira e António José Forte.
Trabalhou como delegado de propaganda médica e redactor de publicidade durante três anos e em 1958 publicou o seu primeiro livro, “O Amor em Visita”.
Nos anos seguintes viveu em França, Holanda e Bélgica, como operário no arrefecimento de lingotes de ferro, empregado numa cervejaria, cortador de legumes numa casa de sopas, empacotador de aparas de papel e policopista, tendo mesmo vivido na clandestinidade em Antuérpia, onde foi guia de marinheiros no submundo da prostituição.
Regressado a Portugal em 1960, tornou-se encarregado das bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, profissão que o fez percorrer vilas e aldeias do Baixo Alentejo, Beira Alta e Ribatejo.
Em 1961 e 1962, editou os livros “A Colher na Boca”, “Poemacto” e “Lugar”, em 1963 começou a trabalhar para a Emissora Nacional como redactor do noticiário internacional e publicou “Os Passos em Volta”.
Em 1968, envolveu-se na publicação de um livro sobre o Marquês de Sade, que desencadeou um processo judicial em que foi condenado, embora com pena suspensa, devido às repercussões do episódio, o que não impediu que fosse despedido da rádio.
Foi para Angola em 1971, trabalhar numa revista. Como repórter de guerra, sofreu um grave acidente e esteve hospitalizado três meses.
Regressou a Lisboa e partiu novamente, agora para os Estados Unidos, em 1973, ano em que publicou “Poesia Toda”, reunindo a sua produção poética até à data, e fez uma tentativa falhada de publicar “Prosa Toda”.
A Portugal, voltaria só depois do 25 de Abril, já em 1975, para trabalhar na rádio e em revistas, como meio de sobrevivência, tendo sido editor da revista literária Nova, de que se publicaram apenas dois números.
Depois de publicar, nos anos seguintes, mais algumas obras, entre as quais “Cobra” (1977), “O Corpo, o Luxo, a Obra” (1978) e “Photomaton & Vox” (1979), remeteu-se ao silêncio.
E dele falou, numa carta enviada em 1977 à revista Abril, endereçada a Eduardo Prado Coelho: “O que é citável de um livro, de um autor? Decerto a sua morte pode ser citável. E, sobretudo, o seu silêncio”.
Por isso, pediu aos amigos que não falassem dele num documentário que António José de Almeida pretendia realizar para a RTP2, em 2007.
O documentário, “Meu Deus, faz com que eu seja sempre um poeta obscuro”, acabou por ser feito, mas apenas adensou o mistério em torno da figura do poeta, já que 17 das 29 pessoas contactadas pela produção se recusaram a dar o seu testemunho.
Da sua poesia, escreveu o crítico literário Jorge Henrique Bastos, ex-colaborador do Expresso e responsável pela primeira edição brasileira da poesia de Herberto Helder publicada no Brasil, em 2000, que o poeta “impulsiona a viva encantação das palavras [e que] o abalo que a sua poesia provoca é um dos mais profundos que a literatura de língua portuguesa já sofreu”.
Sobre o novo livro de Herberto, disse o poeta Gastão Cruz à Lusa: “Não sei o que espero, somente que se situe, como decerto acontecerá, no nível da sua restante obra poética”.
Por sua vez, Helder Macedo sublinhou: “Qualquer publicação do Herberto Helder tem a importância que o Herberto Helder tem. Ou seja, uma enorme importância”.
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