HIPERGRAFIA 8 RELOADED

Mesmo quando você não gosta do que escrevo, saiba que escrevo para você. Escrevo de mim para você, sobre nós dois, pois é disso que se trata, de encontros em meio a palavras que poderiam nunca ser pintadas nesta parede de caverna, que poderiam nunca ser talhadas nesta lasca de madeira, que poderiam nunca ser desenhadas nesta seda, que poderiam nunca ser. Mas são. Desde o momento em que aqui nos detemos. Amantes que somos de algo inominável, esperamos… – mesmo? Daí que me pego repentinamente te imaginando. E não abdico de te escrever, não abro mão de me convidar, não arredo o pé de ensaiar um salto. Mesmo que você não goste do que escrevo. Não pense, todavia, que se trata de rabugice minha. É que me alimento dessa indeterminação. Enquanto o mundo se torna cada vez mais micrológico, escrever se torna uma forma de tirar você para dançar à beira da vertigem. Mesmo que você não goste do que escrevo. Principalmente quando você não gosta do que escrevo. A vertigem nos acompanha nas entrelinhas – consegue senti-la? É precisamente nesse espaçamento entre os ductos escritos em que eu e você dançamos, exatamente agora, quando a vertigem, com olhos vidrados, nos observa e se insinua. Na verdade, nos fascina, nos medusa. Mesmo que você não goste do que escrevo. Mesmo que você não goste. Mesmo que. Mesmo assim, sempre haverá essa sensação – delícia e terror, sedução e repulsa – entre nós dois. Entre nós dois e entre duas linhas. Porque, afinal, é onde vivemos.
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