HIPERGRAFIA PERDIDA NO TEMPO

Mudo. Não por iniciativa própria, o que me causa estranheza. Você me propôs, pelo modo como falou, que te apresentasse outras possibilidades, novas perspectivas, uma outra forma de diverso. Admito que eu estava interessado nas poucas mudanças que havia decidido inicialmente, mas sua fala me levou a pensar (logo de cara, provocou um certo atordoamento, depois parece que encontrei alguns trilhos e as idéias seguiram com certa leveza), a pensar, repito, naquilo que estava oculto sob meus dedos, temeroso de explicar, temeroso de lhe escrever. Ainda estou, é verdade, mas já percorro com um pouco menos de angústia, poderia dizer um pouco menos delirante, as estradas esburacadas que asfalto entre eu e você. Que asfalto. Tão somente asfalto. Ontem, por exemplo, tomei a estrada e encontrei amigos, vidas diferentes, escritas diferentes, mas igualmente dispostos para a conversa, abertos ao que agrega, ao que reúne. Espírito de corpo, você me diz. É, posso lhe dizer que sim. Isso. Assim. Voltei para casa, o espírito não se desfez, não se apagou, e já não permaneci o mesmo. Nenhum de nós permaneceu. E escrever nos deu, nos dá essa oportunidade de trocarmos de pele, experimentarmos novas vidas. Nenhuma pretensão, nenhuma motivação, nenhuma ilusão, além da realidade da escrita. Vidas. Daí que você falou e me levou – mesmo sem querer exatamente isso – a pensar diferente. Afinal, não é por isso que falamos? Para nos diferenciarmos? Nos precisarmos? Nos? Daí que você me falou.
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