HIPERGRAFIA 2

A pressão de escrever, pressionar a ponta do lápis no papel e riscar uma parábola sobre o precipício. Lograrei escapar do que persigo? Criar minhas próprias frestas nos ductos cavados por meus dedos (in)digitadores? Irrigá-los com a água do meu abdome, o suor das minhas axilas, o sangue das minhas unhas? Deitar sobre eles e esperar que venha a chuva e me arraste? Ou que o sol creste minha pele e faça nela nascer um mandacaru sem piedade? Nas têmporas, latejar o desejo e o medo, um de cada lado, alternando-se em ritmo e bombeamento e conduzindo meus dedos a desenhar no chão de barro minhas tatuagens, mais e mais fundo? Como se em busca de ouro bruto, já que não há mais tesouros em arcas perdidas? Só me resta criar minha mina pessoal, pirata de mim mesmo. Sob o risco permanente do desengano. O risco. A linha ao lado. A fresta de onde deus foi expulso. Escrever para matar deus. Escrever é matar deus. E me levar às fronteiras do nonsense. Escrever como luxo da vida, ser possuído por Eros e lhe dar fim. POU! Um sim, um não, uma meta, uma linha reta. A loucura parece estar a um passo de nós dois. Retornamos à dúvida: e agora?
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