ÔNIBUS

– íamos no ônibus e falávamos alegres de estarmos de volta aonde nunca estivemos – íamos no ônibus e falávamos de tudo o que era estudo e partitura e arranjo de comédia em um ato para três esqueletos e fantasmas – íamos no ônibus e falávamos passado e futuro nas mangas das camisas que trazíamos com o otimismo calado das mochilas – íamos no ônibus e falávamos de nós sem falarmos de nós pois tudo do que falávamos era de nós – íamos no ônibus e falávamos carregávamos exibíamos nossas viagens nas mãos gesticulando no alto sobre acima das nuvens – íamos no ônibus e falávamos nunca chegávamos e ainda hoje não chegamos só viajamos e nutrimos sonhos de escritas e estórias – íamos no ônibus e falávamos e o ônibus ia em nós e viajávamos acompanhados de quem nos ama na solidão do grande rio que margeamos – íamos no ônibus e falávamos não desembarcávamos pois que outros embarcavam na nossa viagem e de repente estávamos todos simplesmente a caminho – íamos no ônibus e falávamos a caminho do que não sabíamos e continuamos sem saber mas seguimos pressionando nossos lápis no presente em branco –
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