DINHEIRO PÚBLICO & LITERATURA

Estava ontem olhando o resultado do edital da Funarte para a Bolsa de Criação Literária que lançaram e pensei que finalmente a produção literária começa a ser tratada como política cultural. A Petrobrás também incluiu no Petrobrás Cultural a área de literatura. No último, Állex Leilla foi contemplada. Ainda há o Itaú Cultural e a recente bolsa para se estudar crítica literária. Antes, apenas o teatro, o cinema (hoje ‘audiovisual’) e as artes plásticas ocupavam lugar junto às manifestações tradicionais nas vias de escoamento do dinheiro público para a área artístico-cultural. Quando se falava em literatura, víamos apenas o dinheiro ser investido em concursos literários, edições e premiações de livros editados.

Sei que muita gente torce o nariz para editais e financiamentos públicos em geral. André Setaro foi vítima da ira dos que buscam em editais, concorrências e dinheiro público meios para produzirem e divulgarem seus filmes. Para ele, falta fundamentalmente criatividade ao cinema baiano. Mas, ao mesmo tempo, penso que o criador romanticamente solitário em seu canto, criando sua obra ex-nihilo (ah, meu latim…), e esperando a posteridade o descobrir é um mito muito pouco político (e muito pouco condizente com o tipo de romantismo novecentista que o criou). Tá, tenho lá minhas vocações românticas, mas também tenho desejos pragmáticos. Sei que há amizades, conhecimentos, simpatias e estranhas coincidências em muitas dessas concorrências (cala-te boca…), mas também sei que o mercado é uma diva que espera ser acariciada de alguma forma para poder virar os olhas na direção de quem o faz, e não ignorada. Tá, cinema é arte industrial e estávamos falando de literatura, arte solitária. Será? Editoras, livrarias, redes de ensino, mídias, bibliotecas públicas, internet apontam para uma arte solitária e pouco industrial?

Bom, escrevi demais, mas queria saber a opinião, please, de quem acessa este blogue, a respeito do assunto Editais para Literatura específicos na Bahia e outros tipos de financiamento para a área. O Movimento literatura urgente propôs, há algum tempo atrás, algo do tipo.

[receoso: será que alguém escreverá???]

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