MÃOS DADAS

Em mim a curva dos que fabulam desde a margem onde os recados são tempestades. Não têm corpo, não filam garrafas e sua ausência nos morde, quando chamados num copo de água. A hora é de ver quem se apresenta e que objeto pede para a sua dança. Nós, acostumados nos ossos, cosemos a alegria dos mortos. Por dentro e por fora a vida toma outra forma. Três figuras de giz me inauguram, recupero no rito a memória que sou.

[Edimilson de Almeida Pereira, grande poeta mineiro, de Juiz de Fora, e etnógrafo de religiões afro-brasileiras, no terceiro volume de seus poemas reunidos, Casa da palavra, pela Mazza Edições, p. 196]
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