I DON’T LIKE MYSELF

queria ser outro, perambular
entre as bandeiras enfunadas de pasárgada
bailar no bas-fond de Baudelaire
navegar no barco de Rimbaud
às vezes veranear nos subúrbios do Inferno
na selva selvagem de Dante
sempre argonauta de ultramares
sem o terror narcísico do espelho:
o mesmo círculo a mesma escrita o mesmo rosto
o mesmo animal confinado
em sua ridícula circunstância

[Geraldo Carneiro, de Folias metafísicas, Relume Dumará, 1995]

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