ETNOPOESIA


No princípio era uma grande gota de leite.
Então Doondari veio e criou a pedra.
Depois a pedra criou o ferro
o ferro criou o fogo
o fogo criou a água
e a água criou o ar.
Então Doondari desceu pela segunda vez.
Pegou nos cinco elementos e modelou o Homem.
Mas fez-se orgulhoso, o Homem…
Então Doondari criou a cegueira
e a cegueira derrotou o Homem.
Mas quando a cegueira se tornou orgulhosa
Doondari criou o sonho
e o sonho derrotou a cegueira.
E quando o sonho se tornou orgulhoso
Doondari criou o cuidado
e o cuidado derrotou o sonho.
E quando o cuidado se tornou orgulhoso
Doondari criou a morte
e a morte derrotou o cuidado.
E quando a morte se tornou orgulhosa
Doondari desceu
pela terceira vez
surgiu como Gueno
o Eterno
e derrotou a morte.
[Versão poética de Ruy Duarte de Carvalho para um texto da tradição oral Fulani, publicado junto com outros textos orais africanos no seu livro Ondula, savana branca. In. Lavra (poesia reunida 1970/2000), Lisboa, Cotovia, 2005, P. 157-8].
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