PARA ZECA DE MAGALHÃES

Via ontem o jornal local na tv quando soube da morte do poeta Zeca de Magalhães, há mais de um mês atrás. Minha misantropia, que me faz fugir das rodas e vida literária, só fez com que eu soubesse disso só agora. Estou triste. Havia escrito há meses um poema que lhe dediquei e fiquei de mandar para ele, desde a última vez que nos vimos, na Livraria Berinjela, mas não o fiz. Protelei infelizmente o envio, como fazemos com muitas coisas na vida. Grande figura e grande perda. Amava a poesia, que não via dissociada da vida.














Nascer da lua no mar, Caspar David Friedrich.


RUA OSWALDO CRUZ
para Zeca de Magalhães, em memória

ainda ontem passeei entre automóveis furiosos
tossindo o mormaço dos motores e dos cigarros dos salões de festas

deitei fora a fatalidade dos olhos
alimentados por notícias anônimas
e resolvi acender minhas luzes
para melhor ouvir o ruído dos vermes

a vida sob as unhas deste mundo sem estações de desembarque

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