VOZ: CORPO FRACTAL

VOZ

uma voz que verga a linha do horizonte
apenas roçando a órbita obsessiva
em que habito – inseto preso a pontos
de luz; uma voz que vem de um exterior
apenas intuído, superfície do acontecimento;
uma voz que adensa – viagem ao centro
de nada – e o mundo é o real presente;
uma voz que vara meu corpo
e tanto alimenta os bichos do meu peito;
uma voz que ativa o fluxo sangüíneo
distribui choques nos chakras que desenham
delicados grafismos; uma voz
que vem de repente, varrendo
lembranças que se espalham sob a cama;
espero-a quando vier, só então a espero
preso à vida, erva sobre a terra;
e a espero dançando, sapateando o delírio
sobre meus calcanhares
[do inédito Trabalhos do corpo]
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